sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Minha é a escolha do Inimigo

Para que não se diga que falei de flores, só depois...

Eu lhe sou um inimigo fidagal.
Não lhe sou anti, porque se assim o fosse estaria apequenando-me.
Para ser o inimigo é necessário que se esteja cônscio da própria grandeza.
Este é um dos inúmeros, dos quais lhe sou inimigo, porém, este é o maior de todos.
Entretanto, para que se lhe possa ser o inimigo, é imprescindível que se tenha o pleno conhecimento da natureza física, sensitiva, emocional, psíquica e espiritual do seu adverso.
Este, de quem sou inimigo, é luciferinamente luminoso, belo, sedutor e envolvente, como se fora um vício.
Enquanto inimigo, protejo e defendo a sobrevivência das idiossincracias formadoras da essência da minha irruente personalidade.
Enquanto inimigo, estou imune da miscigenação intelectual.
Enquanto inimigo, estou consciente da sua energia, força e poder, cultivadas, emanadas, e expandidas de um segmento e de um seguimento apaixonadamente popular.
Como tudo que é gigantesco, o virtuoso e o vicioso se equiparam.
Este, de quem sou inimigo, é um patrimônio.
Este, de quem sou inimigo, representa a si mesmo.
Este, de quem sou inimigo, nem sabe que existo, porém...
Este, de quem sou inimigo, faz parte da minha esperança de que, daquelas distantes e estranhas terras, ele retorne como... Corinthians Campeão.
Hárifhat, o poeta sufí do deserto.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

A Meditação Transcendental

A idéia é que toda e qualquer forma de manifestação e expressão da natureza micro ou macrocósmica emite uma frequência de energia.
Por ressonância, uma específica energia própria do ser humano microcósmico vibra na mesma sintonia de alguma das infinitas e específicas energias próprias da natureza micro e macrocósmica.
O princípio da ressonância com a Divindade ou com a energia cósmica deve sua aplicabilidade universal à perfeita sintonia existente entre o ser humano microcósmico e a Criação micro e macrocósmica.
O chamado caminho secreto, o caminho do meio, para elevar-se à meditação transcendental, está na ressonância resultante da contemplação, concentração e meditação do uso integrado, inteirado e interagido do mantra, do yantra e do japamala.
O processo de ressonância é estabelecido pela contemplação, concentração e meditação sobre a mensagem e o som do mantra, sobre a imagem do yantra e sobre a prática do japamala.
Enquanto a mente está em sintonia com as figurações específicas associadas ao mantra, ao yantra e ao japamala, os fluxos da energia numinosa místico-espiritual das percepções psíquicas emocionais e simpáticas se expandem, mas quando a ressonância é interrompida a energia cessa.
O mantra, o yantra e o japamala, em si mesmos, não representam nada, são apenas expressões axiomáticas tradicionais e metáforas mitológicas.
Quando atribuímos ao mantra, ao yantra e ao japamala poderosas energias místico-espirituais estamos conceituando metáforas mitológicas sem uma análise crítico-racional.
A energia místico-espiritual é um dos componentes específicos e exclusivos do ser humano, em estado natural e em latência.
O mantra, o yantra, e o japamala são, na realidade, recursos culturais criados progressivamente através dos tempos imemoriais, e usados para o desenvolvimento da plenitude dos percepções psíquicas emocionais e simpáticas da consciência numinosa místico-espiritual, rumo a meditação transcendental com a Consciência Divina.
Cada mantra tem seu yantra.
Cada mantra tem seu japamala.
Cada mantra é formado por uma ou várias palavras, cuja composição literária e cadência recitativa tem vários estilos ritmados pelo japamala e consagrados pela tradição milenar.
Entretanto, em que pese a obediência aos parâmetros herdados, a cada oração, cada praticante tem uma compreensão e uma execusão interpretativa idiossincrática, o que faz com que sua trajetória rumo à meditção transcendental seja especificamente singular, mesmo porque a Suprema Consciência não se repete em suas divinas criações.
Uma programação objetiva
Faça uma programação de 40 dias, com três práticas por dia, uma de manhã, uma à tarde, e uma à noite, com um mantra, seu yantra e seu japamala integrados, inteirados e interagidos, se possível aproximadamente na mesma hora e local, ao fim do qual o praticamente vivenciará transformações pessoais extraordinárias correspondentes aos objetivos numinosos que foram previamente auto-estabelecidos.
Hárifhat, o poeta sufí do deserto.

Japamala

Em sanscrito, japa significa repetição; mala significa colar de contas; japamala significa colar de contas usado na recitação ou canto contínuo e repetitivo de um mesmo mantra.
O japa é a recitção ou o canto de um mesmo mantra, verbalizado, sussurrado ou mentalizado contínua e repetitivamente por 108 vezes, objetivando controlar a atividade e as flutuações ininterruptas dos pensamentos comuns, e direcionar o foco mental do praticante - sádhaka - para a contemplação, concentração e meditação.
A verbalização é inferior ao sussurro, e este é inferior à mentalização.
Ao japa é atribuído um fator místico formado pela vontade numinosa e pela vibração sonora dos fonemas do mantra emitido.
O japa tem um fator corporal formado pelo sistema respiratório e pelo sub-sistema de emissão da voz.
Ambos fatores, místico e corporal, formam uma unidade geradora da percepção psíquica emocional.
O mala é um instrumento feito com 108 pequenas contas, e mais uma conta diferenciada, furadas no meio, unidas por um cordão, formando um colar com 109 contas, o qual é manipulado para marcar o ritmo e a sequência numérica das 108 repetições de um mesmo mantra.
A conta diferenciada chama-se Merú - a divindade - a qual, ornada com fios coloridos, em geral vermelho, fica fora das 108 contas, unindo o começo e o fim do japamala.
Ao mala é atribuído um fator místico formado pela vontade numinosa e pela vibração dos movimentos manuais.
O mala tem um fator corporal formado pela estrutura óssea, nervosa e muscular específica das mãos.
Ambos fatores, místico e corporal, formam uma unidade geradora da percepção psíquica simpática.
O uso do mala
Segure o mala com o dedo médio da mão direita e passe as contas com o dedo polegar.
Puxe as contas um sua direção com o dedo polegar.
Comece o japamala pela primeira conta após o Merú.
Ao final, não passe por cima do Merú, gire e volte o mala e comece o novo japamala.
O mala não encostará no chão, e nem na sola dos pés; se necessário, segure-o com a mão esquerda logo acima do umbigo.
Misticamente o dedo indicador simboliza o "ego", razão pela qual não deve ser usado.
Misticamente o Merú simboliza a Divindade, razão pela qual não podemos passar por cima.
A prática do japamala
Diariamente, a prática - sádhama - de um japamala - 108 repetições de um mesmo mantra - gera percepções psíquicas emocionais e simpáticas, as quais influenciam progressivamente o inconsciente no sentido da contemplação, concentração e meditação nos componentes, elementos e fatores numinosos, místico-espirituais e ontológicos da meditação transcendental do praticante - sádhaka.
Continua no A Meditação Transcendental
Hárifhat, o poeta sufí do deserto.

domingo, 1 de janeiro de 2012

Gayatri Mantra

O Gayatri Mantra é, depois do Mantra AUM-Om, o mais poderoso mantra dos Vedas, é o Mantra da Iluminação.

O Gayatri Mantra é devotado à deusa Gayatri, a Mãe dos Vedas, e foi criado para receber as vibrações solares que nos trazem vida, vigor e dinamismo.

O Gayatri Mantra surgiu pela primeira vez no Rig Veda, que foi escrito, em sanscrito, à 2500-3500 antes da era cristã.

O Gayartri Mantra é aplicavél universalmente porque é uma pronúncia específica, de louvor e de poder, pedindo a iluminação do nosso intelecto, Luz esta que traz o estímulo das energias vitais, e a liberdade do raciocínio lógico e da consciência espiritual.

A deusa Gayatri é a eliminadora da ignorância, origem de todos os conflitos, e não existe nada mais virtuoso do que o Gayatri Mantra, o qual atrairá a sabedoria divina para todo aquele que o recitar ou cantar com determinação e constância.

A palavra Gayatri é composta de duas palavras:
- Gaya: energia vital;
- Trayate: proteção e liberdade.

O Gayatri Mantra é composto de três frases, e oito sílabas cada frase, num total de vinte e quatro sílabas.

A frase
"Om Bhur Bhuvaha Suvaha"
é uma saudação antes do mantra.

Om-AUM:
- é a manifestação do som primordial do Criador do Universo.
A - Brahama - a criação
U - Vishnú - a conservação
M - Shiva - a tranformação

Bhur: Suprema Essência Una do mundo material
Bhuvaha: Suprema Essência Una do mundo espiritual
Suvaha: Suprema Essência Una do mundo divinal

Bhur Bhuvaha Suvaha são os três níveis da existência:
o macrocosmo, a humanidade, e o microcosmo.

Bhur Bhuvaha Suvaha são os três movimentos da natureza:
- inércia (tamas), ação (rajas), equilíbrio (satva).

O Gayatri Mantra

Tat Savitur Varenyam
Bhargo Dhevasya Dheemahi
Dhiyo Yo Naha Prachodaiat

Tat: Suprema Essência Una da Emanação;
Savitur: Suprema Essência Luminosa do Intelecto;
Varenyam: Suprema Essência Numinosa da Alma

Tat Savitur Varenyam é a Suprema Essência Una:
- da existência de tudo que lhe é contido;
- da consciência de tudo que lhe é acontecido;
- da totalidade de tudo que lhe é absoluto.

Bhargo: Suprema Essência Una da realidade;
Dhevasya: Suprema Essência Una da divindade;
Dheemahi: Suprema Essência Una da meditação.

Dhiyo: revelação da Suprema Essência Una
Yo: alma
Naha: nosso
Prachodaiat: pedido do êxtase

Versão intuitiva de Cortijo, Roberto

Que a Vontade Divina da Suprema Essência se manifeste em nós, eliminando a ignorância.
Que a luz solar da Suprema Essência se manifeste em nós, iluminando o caminho virtuoso da consciência desprendida.
Que o êxtase sagrado da Suprema Essência se manifeste em nós, absorvendo a alma sublimada na numinosa Consciência Una da natureza côsmica.
Gayatri é uma das formas da Shakti - Poder Criativo da Consciência - de Brahma, de Vishnú, e de Shiva.
Gayatri é a energia expansiva do Om.

O Gayatri Mantra é atríbuido às deusas Gayatri, Savitri e Sarasvati.
Gayatri governa os sentidos;
Savitri governa a energias vitais;
Sarasvati governa a perfeita espressão, harmonia e unidade.

Gayatri Mantra - pronúncia escolhida

 1      2      3     4      5      6      7      8  
om   bur   bu    va    ha    su     va    ha

 ta    tsa   vi    tur    va    re     ni    am

bar    go   de    va    cia    di    ma    hi

diio    io   na    ha    pra   cho   da    ia

Numinoso: é o estado religioso da alma inspirada pelas
                 qualidades transcendentais da divindade.

Recomendação
Shanti: paz

Encerrar o Gayatri Mantra entoando três vezes o Mantra da Paz:
- Om Shânti, Shânti, Shânti.

Continua no Mantra.
Hárifhat, o poeta sufí do deserto.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Oração do Gayatra Mantra

Que a Vontade Divina da
Suprema Essência se
manifeste em nós,
eliminando a ignorância.

Que a luz solar da
Suprema Essência se
manifeste em nós,
iluminando o caminho virtuoso
da consciência desprendida.

Que o êxtase sagrado da
Suprema Essência se
manifeste em nós,
absorvendo a alma sublimada
na numinosa Consciência Una
da natureza cósmica.
Hárifhat, o poeta sufí do deserto.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

O Índice de Massa Corpórea

O meu círculo de amizades tem pessoas de ambos os sexos, solteiros, casados, divorciados, simpáticos, bonitos, alguns amigos recentes, e a maioria mais antiga.
Dos amigos recentes, alguns são obesos, e dos mais antigos, os obesos estão aumentando.
Pelo amor que tenho por estes amigos obesos estou tão preocupado que decidi escrever este breve alerta, objetivando provocar uma conscientização obstante à progressão de um distúrbio ainda razoavelmente pequeno.
1. Os termos gordo, obeso, sobre peso, morbidade, e outros do gênero, são expressões inadequadas e sem refinamentos.
2. A circunstância é, científica e corretamente, definida como um desequílibrio no índice de massa corpórea.
3. O índice de massa corpórea é determinado pela relação de três fatores básicos: origem racial, envergadura esquelética e altura.
4. A envergadura esquelética, nos adultos, é formada por 206 ossos e corresponde 20 % da massa corpórea.
5. A origem racial é determinante na envergadura esquelética, e esta na altura.
6. A origem racial, a envergadura esquelética e a altura determinam uma massa corpórea ideal sustentada por hábitos alimentares regionais e tradicionais de suas respectivas populações.
7. A natureza, em sua expansão espontânea, conduziu o homem, instintiva e intuitivamente, à ocupar regiões geográficas com recursos alimentares suficientes para a preservação da espécie.
8. Não há no planeta Terra nenhum povo cuja cultura culinária natural provocasse o desequilíbrio da massa corpórea.
9. Através da história mais recente, o desequilíbrio da massa corpórea é resultante da chamada "gastronomia de consumo", a qual, com os artifícios da especulação químico-experimental, reproduziu e descobriu sabores anti-naturais indutivos e provocadores da degustação de massa indiscriminada, satisfazendo, assim, os interesses globalizados dos grandes conglomerados das indústrias alimentícias internacionais, das grandes redes comerciais de distribuição, da propaganda subliminar de todos os veículos de comunicação, e, finalmente, da tributação governamental.
10. O desequilíbrio da massa corpórea provoca o aumento da periferia do sistema cardiovascular, causando a atividade tensiva do coração no bombeamento do sangue para as regiões tornadas mais distantes; provoca o aumento da atividade pulmonar na oxigenação cerebral de um volume anormal de sangue; provoca o aumento da atividade diafragmática na ordenação do ritmo pulmonar.
11. Metabolismo é o conjunto de transformações físico-químicas, sofridas pelo organismo vivo, através dos quais se faz o anabolismo e o catabolismo das substâncias necessárias à vida do ser humano. Anabolismo é o conjunto de fenômenos bioquímicos que se processam no organismo vivo para regenerar a matéria viva que se gasta durante a fase catabólica, através das queimas respiratórias intracelulares; é através destas últimas que o organismo obtém a energia necessária para o seu funcionamento. Catabolismo é o conjunto de reações bioquímicas que regem a transformação da matéria viva em detritos que serão expelidos.
12. O desequilíbrio do sistema metabólico começará quanto o desequilíbrio da massa corpórea atingir inevitavelmente um orgão do sistema chamado pâncreas, provocando um desequilíbrio crônico e sistemático chamado diabetes; o atual crescimento dos diabéticos, de todas as idades, no mundo, é alarmante e assustador.
13. Também, é interessante observar que a baleia, o elefante, o hipopótamo, o rinoceronte, o urso e o búfalo, os maiores mamíferos, não são animais com desequilíbrio de massa corpórea, eles são apenas de grande porte.
14. Na natureza, somente o ser humano e os seus animais domésticos correm o risco de sofrerem um desequilíbrio no índice de massa corpórea.
15. A solução existe, posso revela-la a quem desejar.
Cortijo, Roberto Hárifhat, o poeta sufí do deserto.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Reflexões sobre o Candomblé - Capítulo - 1

Nossa formação filosófica,humana,holística é a consequência da integração de heterogêneos conceitos,critérios,críticas,dos quais o Candomblé é um dos mais significativos.
O Candomblé é atualmente uma religião afro-brasileira,muito menos afro e muito mais brasilei-
ra do que gostariam os inventores da diáspora negra.
O Candomblé é uma aculturação religiosa africana acontecida e existente só no Brasil.
Depurada de sua impositiva liturgia exotérica,dogmática,alienante,pluralista e personal,o Can-
domblé emerge como uma doutrina esotérica,deista,empírica,libertária,teúrgica e magista,favo-
recendo o conhecimento e o domínio dos ímpulsos do ego e dos ímpulsos do sexo,no decorrer da
vida humana.
O simbolismo mítico do Candomblé atenta para um dos mais complexos enigmas do psiquismo,
de que a sobrevivência místico religiosa é idiossincrática e dependente da vontade individual
ativa,dinâmica e numinosa.
A vontade coletiva é a morte em vida.
Os Irunmalês
Os Irunmalês dividem-se em Divinos,associados à criação da natureza cósmica,e Ancestres,
associados à história dos seres humanos.
Os Irunmalês Divinos são ancestres divinizados,homens e mulheres da clã que,em razão de
uma vida além dos limites do comportamento humano comum,foram miticamente identifi-
cados com as manifestações da natureza,e cultuados pela própria clã,até se tornarem objeto
de culto coletivo de toda uma comunidade.
Os Irunmalês Divinos dividem-se em Orixás,que são os quatrocentos masculinos da direita,
e Eborás,que são os duzentos femininos da esquerda.
Os Orixás formam o grupo dos Funfún,do branco,do qual Obatalá é o irunmalê supremo,e o
símbolo coletivo e extensivo da massa de ar com água,um dos dois componentes gênese da
origem da natureza cósmica;do poder gerador e do poder ancestral masculinos;da matéria geradora masculina,complemento fecundador para o nascimento das criaturas.
Os Orixás são portadores e transmissores do fluido branco(água) do Axé.
O branco é o símbolo do poder gerador feminino e masculino.
Os Eborás formam o grupo dos de branco,preto,vermelho e os matizes,do qual Oduduwá é o
irunmalê supremo,e o símbolo coletivo e extensivo da massa de ar com terra e água,um dos
dois componentes gênese da origem da natureza cósmica;do poder gerador e do poder ances-
tre femininos;da matéria geradora feminina,preponderante fecundada,que dá nascimento às
criaturas.
Oduduwá,em razão dos seus três poderes:gerador feminino(água-branco),gestatório fecun-
dado(terra-preto) e menstrual fertilizador(sangue-vermelho) é um orixá e um eborá.
Os Eborás são portadores e transmissores do fluido branco,preto e vermelho do Axé.
Os Irunmalés Ancestres são homens e mulheres,antepassados da clã que,em razão de uma
personalidade carismática influente através do atavismo,foram identificados como espíritos
protetores,e cultuados pela própria clã,até se tornarem objeto de culto coletivo de toda uma
coletividade.
Os Irunmalês Ancestres dividem-se Eguns,que são os masculinos da direita,da sociedade
Egugúns,e Iyá Agba,que são os femininos da esquerda,da sociedade Geledê.
Os Eguns tem um símbolo individual e um coletivo,ambos vinculados à terra.Os Eguns indi-
viduais são espíritos de antepassados conhecidos pelo próprio nome e cultuados pelos des-
cendentes,durante suas aparições materializadas nas cerimônias Egugúns.
As Iyá Agba só tem símbolos coletivos;mesmo os nomes singulares das Iyá Agba são símbo-
los da totalidade dos espíritos femininos.
As Iyá Agba são representações míticas,místicas e diretas da Oduduwá.
Símbolos coletivos da Iyá Agba:
-Igba-a cabaça da vida,símbolo do grande ventre fecundado;
-Eyê-o pássaro vermelho,símbolo do poder da Iyá Agba,símbolo do ser procriado,contido
na Igba;
-Ekodidé-penas vermelhas do Odidé,o pássaro vermelho,símbolo do sangue menstrual,con-
tido na Igba;
-Ovo-símbolo específico das Iyá Agba;
-demais-terra,água,lama,caurí.
A Iyá Agba,possuidora da Igba é chamada de Eleyê(elê-senhora,eyê-pássaro)(senhora do
pássaro e da cabaça da vida).
Oferendas:água,terra,sementes.
Assentamento-na terra.
Todas as eborás são Iyá Agba.
As Eborás,Iyá Agba das águas,Mãe das águas.
As que realizam o ciclo das reencarnações dos seres humanos.
Oxún:da água doce tranquila-cuida do ser humano desde o momento da fecundação,como
embrião,até o momento em que,como criança,começa a falar.
Iemanjá:da água salgada tranquila e agitada-cuida do ser humano desde o momento em que,
como criança,começa a falar até o momento de sua morte em qualquer idade.
Iansâ:da água de chuva em tempestade-cuida do ser humano desde o momento de sua
morte até o momento em que começa a se preparar para a nova reencarnação.
Nanâ-Burucú:da água com terra,a lama-cuida do ser humano desde o momento em que come-
ça a se preparar para a nova reencarnação até o momento da fecundação,como embrião.
Outras Iyá Agba das águas.
Ewá:da água doce das nascentes límpidas.
Obá:da água doce agitada das corredeiras.
Existem narrativas míticas,os itans,que evidenciam o predomínio do poder gerador de
Oduduwá-Iyá Agba e a complementação do poder gerador de Obatalá,na criação da natu-
reza cósmica,
Entretanto,em outros itans,Obatalá é conduzido à supremacia,em consequência da expansão
inexorável do patriarcado,reação civilizadora,que começou desde de o período neolítico
até a atualidade.
Com a civilização Yoropana não foi diferente,agravado por inflluências e interesses culturais
e econômicos alienígenas e conspurcadores da colonização européia e da escravatura
americana.
Porém,nesta vida de eternas transformações,a modernidade das pesquisas informatizadas,
prejudicando a censura ao conhecimento irrestrito,contribuiu,através da análise racional e
empírica,para a restauraçãoda verdade relativa,imanente e transcendente,de que:
Olorún,como Suprema Substância,absoluta e relativa,física e abstrata,positiva e negativa,
individual e coletiva,na sua manifestação maternal mais sublime,preponderantemente femi-
nina e complementarmente masculina,a si mesmo se auto fecunda para gerar a essência
gênese da natureza còsmica.
Dedução lógica
A Suprema Substância é o núcleo da energia molecular imanifesta formada pelas partículas positiva,negativa e neutra,que pode transformar-se em positiva ou negativa.
Num determinado impulso da vontade,a Suprema Substância provoca a fusão da partícula positiva com a neutra negativada gerando a energia propulsiva;a fusão da partícula negativa com a neutra positivada gerando a energia receptiva;e a fusão das energias propulsiva e receptiva gerando o núcleo da energia molecular manifesta,dotada de forma física,dimensões e existência individual,a natureza cósmica.
O núcleo de energia molecular imanifesta foi chamado de Olorún;a energia propulsiva de Obatalá;a energia receptiva de Oduduwá;e o núcleo de energia molecular manifesta de Exú.
O que acontece no macrocosmo da natureza acontece no microcosmo das partículas subatômicas.
Esta constatação é a reconquista da liberdade de culto da Oduduwá Iyá-mi Agba,Minha Mãe
Deusa Eterna,como manifestação feminina da Suprema Substância.
O culto da Oduduwá Iyá-mi Agba é o culto da maternidade,da qual a mulher,com seu ventre,ovário,útero,trompas,placenta e menstruo,é o símbolo da manifestação da vontade criadora da Suprema Substância.
Representações da Oduduwá Iyá-mi Agba,mães primordiais,fontes expontâneas da essência gênese,a Lama,da qual fazem nascer suas descendências míticas.
Iyá-Nla:mãe do Exú Iangí,o primogênito do universo.
Odú Logbojê:mãe dos Orixás e dos Eborás.
Olorí Iyá Agba Ajé Eleyê:mãe das mães ancestres Eleyê.
Iewajobí Iyá-mi Iyá:mãe das mães ancestres.
Oxún Olorí Eleyê:eborá suprema das mães Eleyê;a qual,manipulando o poder gerador dos
dezesseis Irunmalês Odú Agba,faz nascer seu filho Exú Oxetuá de Akin Oxó,17º Irunmalê
Odú Agba,o guardião do Axé das Iyá-mi Agba.
Mães Ancestres
Iyá-mi Oxorongá,minha mãe,senhora da criação e da transformação.
Iyá-mi Ajé,minha mãe,senhora poderosa.
Iyá-mi Agba,minha mãe,senhora anciã e respeitável.
A Oduduwá Iyá-mi Agba Ajé Eleyê é determinante na formação do Orí,cabeça-mente,do ser
humano.
Orí
A essência gênese,a Lama,é a manifestação da Suprema Substância,com a qual os Irunmalês
Divinos,através do Eledá e do Iporí,criam seres humanos.
Eledá é a essência gênese física,a Lama física.
Iporí é a essência gênese abstrata,a Lama abstrata.
O ser humano,ao ser criado,com Eledá e com Iporí,recebe duas vidas:a do Aiyê,plano físico,
através do seu Ará-Aiyê,corpo físico,e a do Orún,plano abstrato,através do seu Ará-Orún,
corpo abstrato.
O Ará-Aiyê e o Ará-Orún tem duas partes inseparáveis:o Orí,cabeça-mente,e o seu Aperê,
suporte,formando o Orí-Aiyê e o Orí-Orún,as quais só terão vida após terem recebido,de
Olorún,o Emí,respiração.
O Ará-Aiyê é formado com o Eledá,cujos Irunmalês Divinos são chamados de Eledá
(elê-senhor,edà-ser vivo)(senhor dos seres vivos).
O Orí-Aiyê é formado com o Iporí,cujos Irunmalês Divinos são chamados de Olorí
(olô-senhor,orí-cabeça mente)(senhor da cabeça-mente).
O Ará-Orún e o Orí-Orún,sendo abstratos,são representados pelos seus dublês físicos.
A cabeça é a parte física do Orí-Aiyê,composto pelo crânio e encéfalo.
A mente é a parte funcional do Orí-Aiyê,composto das atividades do encéfalo.
O Orí-Aiyê divide-se em Orí-Odé e Orí-Inú.
O Orí-Odé é a atividade física do encéfalo:processos e operações dos componentes
orgânicos do corpo humano.
O Orí-Inú é a atividade abstrata do encéfalo:processos e operações dos componentes
psíquicos da mente humana.
Quando da gestação,o primeiro orgão a se manifestar é o Orí-Aiyê da gestante.
Durante a gestação,o primeiro orgão a se desenvolver é o Orí-Aiyê do embrião.
O Orí é um irunmalê divino individual que será cultuado.
O ser humano,ao nascer, escolhe seu Orí e o seu Odú(destino),e nesta escolha está implicita
a Iyá-mi,o Exú Bará,o Eledá,o Iporí e o Odú Agba.
A potência mística,teúrgia e magista da liturgia individual do Candomblé está no culto integrado
da Iyá-mi,do Exú e do Orí,face a interagibilidade desses tres irunmalês divinos.
Tanto Obatalá como os demais Eledás,Olorís e Odús são venerações complementares inpres-
cindíveis.

Conclusão

Nas suas remotas origens,a cultura religiosa das diversas nações yorobanas era fundamentada
numa liturgia mística,teúrgia e magista essencialmente individualista.
Na atualidade,a despeito das ocultações viciosas da classe sacerdotal dominante,o Candomblé
revela,nas suas entrelinhas doutrinárias,que a volta às origens está na individualização mística,teúrgia e magista do culto,a qual só poderá ser praticada através da alteração psíquico
introspectiva da consciência,enquanto o adepto fôr o senhor virtuoso,numinoso e radical da sua
razão,vontade,sentimentos e emoções.
Hárifhat, o poeta sufí do deserto.
Roberto Faria Cortijo:Analista:Contato:tel.25644797-Santo André -SP
robertofariacortijo@yahoo.com.br
robertofariacortijo@gmail.com